segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM PRISÕES DO RIO DE JANEIRO

Todas as escolas prisionais estão reunidas em prol da elaboração do Plano de Educação Estadual em Prisões do Rio de Janeiro. Este é um marco histórico e fazemos parte dele como personagens principais. Através de nossas vivência "in loco" estamos aptos a criar um documento com veracidade e dinâmismo.
Cronograma de atividades:
08/11 à 12/11 - Discussões nas Unidades Escolares e esboço de tese guia
16/11 à 19/11 - Apresentação de cada escola e elaboração de uma única tese com desenvolvimento das U.Es
29/11 à 03/11 - Discussões e considerações finais junto ao Ministério da Justiça
Estarei por aqui dando mais notícias!! Ufa!!! Muito trabalho.

EDUCAÇÃO É UM DIREITO DE TODOS

"Embora muitas vezes tratada como secundária, a escola dentro do Sistema Penitenciário deve tornar evidente a sua verdadeira atuação como promotora de conhecimento e primordial para a inclusão no exercício da cidadania. A Educação é um direito e não deve ser vista como merecimento ou premiações. No meio de um ambiente hostil a escola surge para humanizar as relações e resgatar valores oportunizando a reinserção social."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O FAZER PEDAGÓGICO

O fazer pedagógico dentro de uma escola diferenciada voltada para jovens e adultos deve propor oportunidades para busca de novos conhecimentos levando o aluno a rever seus conceitos já acumulados durante anos de vida, que em sua maioria já estão prontos no indivíduo dependendo apenas de uma orientação para organização de idéias. É preciso estar atento para que não se faça a infantilização das atividades propostas estando sempre com uma visão do cotidiano e busca de atos de cidadania. Integrar saberes, sinalizar conhecimentos e conceitos já estabelecidos e mostrar novos caminhos é o papel de um educador, mais ainda de um educador inserido numa escola prisional.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PROFESSORES APAIXONADOS

“Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.

Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!

Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.

Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.

Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.

Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.

Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.

A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.”

Gabriel Perissé


PARABÉNS PELO DIA DO PROFESSOR!!
Texto indicado pela Profª Hermínia Lucíola

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

POESIA...

GOSTO DE GENTE
Hoje acordei pensando no quanto eu gosto de gente...
Não gente perfeita, mas de preferência imperfeita, inacabada, eu não saberia como lidar com a perfeição.
Gosto de gente que diz que não acredita em nada, nem mesmo em Deus, mas que deseja que Deus me acompanhe, me proteja.
De gente que faz cara feia, cara de mau, mas que é capaz de encher os olhos de água quando algo lhes toca a alma.
Gosto de quem diz "tamo junto" e não abandona um amigo mesmo sabendo que pode se comprometer.
Gosto de quem fala com o olhar, com gestos, com sorriso ou com o silêncio...
Gosto de quem fala na hora certa e se cala quando preciso ou se cala, simplesmente para não ferir.
Que respeita e tenta entender o "outro" mesmo quando não consegue entender nada.
Que consegue entender as limitações que cada um traz dentro de si...
Gosto de gente que gosta de aprender, que ama ensinar e que os olhos brilham quando consegue ser útil a alguém.
Gosto de gente que erra, reconhece, torna aerrar e tenta aprender tirando lições de seus erros.
Gosto de verdade daqueles que gostam de aprender com aqueles que aparentemente sabem menos do que ele: um idoso, um analfabeto, uma criança, uma professora...
Gosto de gente que curte as saudades dos amigos, dos amores vividos, dos lugares que deixou pra trás, das plantas e dos animais...
Gosto de quem se emociona com um poema, uma música, uma carta ou até mesmo com uma lágrima.
Gosto de gente como você.
(Baseado em tudo o que vi, li, ouvi, vivi e partilhei)
Hermínia Lucíola

Esta poesia é de autoria da Professora Hermínia Lucíola num momento de reflexão e questionamentos sobre sua vivência enquanto professora do Sistema Prisional, C.E. Profª Alda Lins Freire, uma realidade talvez chocante para muitos, no entanto uma experiência de vida e crescimento profissional para poucos e talvez privilegiados.




terça-feira, 24 de agosto de 2010

É preciso rever as políticas públicas!!

Embora sejam diversos os fatores que contribuem para a criminalidade, apontamos a desestrutura familiar como a mais evidente. A ausência dos pais, violência doméstica, necessidade de contribuição na renda familiar, uso de drogas lícitas e ilícitas. Ainda beirando à marginalidade são seduzidos pelo falso heroísmo, consumismo e pela sobrevivência.
As instituições que tem como objetivo a ressocialização e reinserção à sociedade não oferecem condições para tal. A ociosidade abre brechas à organização do crime mesmo dentro do sistema. A falta de condições ao atendimento e suporte ao interno e seus familiares propiciam o retorno a marginalidade. O distanciamento entre o Judiciário e os poderes Legislativo e Executivo demonstra a precariedade na proposta de recuperação e reintegração.
Se faz necessário rever as políticas públicas e como estas tem contribuído para transformação da sociedade. Cabe ressaltar a importância da emenda 65 no Artigo 221, que inclui o jovem nas ações do Governo, mas é importante rever e fiscalizar sua aplicabilidade. Rever a postura e comprometimento das autoridades. Promover ações sociais para que através da cultura crianças, adolescentes e jovens sejam sensibilizados para os estudos e profissionalização para que possamos contar mais histórias de sucesso com novas perspectivas de vida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Identidade - Direito do Cidadão

Ontem em minha aula fiquei surpresa ao explorar o tema identidade e como foco a documentação necessária a todo cidadão. Uma boa parte dos alunos desconhecia a nomenclatura correta de cada documento. Outros se orgulham de seu registro civil..e um grupo considerável não tem ou nunca viram seu RG. Homens... adultos...chefes de família...que irão necessitar da inclusão num mercado de trabalho. Espantoso!!
O indivíduo precisa identificar-se na sociedade. Ser cidadão é gozar de seus direitos e cumprir com seus deveres. É ter sua identidade e memória garantidos.

domingo, 18 de julho de 2010

Conselho de Classe: um momento de reflexão...

A Direção do C. E. Sônia Maria Menezes Soares parabenizou em seu 2° Conselho de Classe aos professores pelo empenho na realização dos projetos no período e a qualidade dos trabalhos expostos. É muito bom ver a integração entre os segmentos da escola e a participação dos alunos. Fico feliz em fazer parte desta equipe!

Festa Julina - Cultura Popular

No dia 16 de julho o C.E. Profª Alda Lins Freire realizou sua festa julina com participação de todos os alunos. Em meio a uma variedade de comidas típicas, música e brincadeiras este evento teve como objetivo mostrar um pouco da vivência do nosso povo e resgatar o respeito pelo outro e valorização pela cultura popular.
A Festa foi um sucesso graças a parceria entre a equipe de Direção, professores e Unidade Prisional.

domingo, 11 de julho de 2010

"Homem que lê - Cidadão ID"

Repensar a estrutura da educação nas prisões se faz necessário haja vista a falta de documentação oficial comprobatória de escolaridade, a rotatividade do aluno no Sistema que influencia diretamente na sua permanência ou não naquela Unidade de Ensino, e também rever o tempo de motivação, o despertar de interesses e incentivo a formação fundamental de alunos internos que necessitam ser incluídos no convívio social e por sua vez no mercado de trabalho.
Reconhecer-se como integrante e contribuinte de uma sociedade é de fundamental importância para o real exercício da cidadania. Todo indivíduo tem o direito a um nome, uma identidade. O domínio da leitura permite a este indivíduo a ampliação de seus conhecimentos e a inserção no universo do letramento abrindo as portas para sua atuação consciente no seu meio de convívio. Com este olhar realizo em minha turma do 2° ano de escolaridade o Projeto de Leitura: "Homem que lê - Cidadão ID" com o objetivo de incentivo ao resgate da identidade (ID) como cidadão, promovendo ações para inclusão na sociedade abordando temas como familia, relações pessoais, valores etc. partindo dos diversos tipos de leituras e apresentações de um texto.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Escolas prisionais no Rio de Janeiro

Este blog visa reunir educadores e suas experiências, expectativas, angústias, sugestões e inovações para que juntos possamos colaborar para o sucesso escolar e contribuir para a inserção positiva desses indivíduos à sociedade.